Assisti, recentemente, uma reportagem sobre o tema “carreira executiva”. O debate, entre os que foram convidados para a discussão, girava em torno da pergunta: “qual o tempo ideal para permanecer em uma mesma empresa?”
Nenhum participante sugeriu uma resposta definitiva, segura e clara. Contudo, ficou “no ar” uma “idéia” aceita por todos, mas afirmada por ninguém: a de que não devemos permanecer por muito tempo em uma mesma empresa e, após um certo “prazo”, todos deveriam procurar por “novos desafios”, sem que nenhum participante desta reportagem apontasse os critérios para definir que prazo seria esse e onde estariam estes novos desafios.
Para mim, esta foi uma entrevista ruim, com uma pauta mal formulada e que não ofereceu resposta alguma, apesar dos sorrisos satisfeitos dos seus participantes.
Afinal, quanto tempo você deve “ficar” ?
Vivemos em uma sociedade que nos oferece recompensas emocionais para certas conquistas materiais. No tribunal da vida social somos julgados pelo “valor” destas conquistas e ou somos “vencedores” – e admirados por nossos vizinhos – ou somos “perdedores” – e julgados como incapazes. Assim, sofremos essa pressão que nos “empurra” incessantemente na busca pela ascenção a posições profissionais mais “desafiadoras”, que se apresentem como “oportunidades de carreira”, antes mesmo de completarmos um ciclo coerente, consistente e consciente de aprendizado e, com isso, de obtenção de bons resultados. Qual a conseqüência disso?
Currículos mal-formados, carreiras “remendadas” (como prefiro dizer), com uma “colcha de retalhos”, posições incoerentes entre si. Diante de um currículo desses, minha reação é uma só: lixo. É uma pena… tempos desperdiçados.
Não acredito que uma única resposta, sugerindo um prazo determinado, possa resolver esta questão. Empregos e projetos podem oferecer perspectivas tão diferentes quando comparados com outros que, em alguns casos, em três anos você “fecha” um ciclo – compreendido entre aprendizados, execuções e resultados. Em outros casos, estes ciclos podem “durar” cinco anos. Noutros, ainda, podem “levar” sete anos. A resposta, portanto, não está em “quantos anos” mas, sim, na equação “aprendizado + execução = resultados”. Talvez, então, a pergunta deva ser formulada de outra maneira, dividida em duas: 1) na sua atividade profissional, que resultados (cujos significados são importantes para a sua empresa) você pretende obter ?; 2) após obtê-los, quais são as suas pretensões ou expectativas?
A reformulação da pergunta apresenta uma perspectiva diferente, certamente mais consciente, pois traz a objetividade como fundamento da resposta – uma forma segura de “medir” e “avaliar”, com uma melhor margem de segurança, se é hora, ou não, de “mudar de emprego”.
Sou a favor disso, claro – mudanças ascendentes, verticais ou horizontais, de emprego, com expansão das responsabilidades funcionais, desde que amparadas pela avaliação objetiva, precisa e racional.
O que não concordo – e espero que você também não – é com essa “cultura corporativa esquizôfrenica”, estampada nas capas de revistas de negócios e pautas de reportagens de qualidade discutível, em que se valoriza esta “coleção de oportunidades de carreira” de forma inconseqüente, apoiada na opinião de “especialistas” que, muitas vezes, nem mesmo sabem do que falam.
Não cometa esse erro.